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Minas Gerais fará diagnóstico contra enchentes PDF Imprimir E-mail

Com 537 quilômetros, o rio Paraopeba banha 27 dos 48 municípios que formam a bacia dele. Da nascente, em Cristiano Otoni, à foz, na represa de Três Marias, em Felixlândia, passando pela Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o curso d’água corta cerca de cem quilômetros de áreas habitadas. Neste período chuvoso, o transbordamento de rios deixou um rastro de destruição pelo Estado e o Paraopeba foi um dos que invadiram cidades e comunidades rurais.

Dos 20 municípios da bacia do Paraopeba que decretaram situação de emergência ou registraram notificação preliminar de desastre, entre 16 de dezembro e 9 de janeiro, apenas Ouro Preto não foi afetado por enchentes (cheias naturais) ou inundações (causadas por modificações do uso do solo). Nos demais, a enxurrada provocada pelo transbordamento do rio e afluentes deixou pessoas desalojadas e desabrigadas, levando por água abaixo o que famílias demoraram uma vida inteira para conquistar.

Diante da devastação que colocou a região Central entre as mais afetadas, em Minas, pelos temporais, o Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (Cibapar) fará um mapeamento inédito das áreas habitadas ao longo do curso d’água. O Cibapar traça as metas do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba, associação ligada ao governo do Estado.

Em um mês, técnicos começarão a percorrer os cem quilômetros do leito para apontar fatores que, somados ao grande volume de chuva, contribuem para que o Paraopeba deixe de ser o “rio de águas rasas e pouca profundidade”, significado do nome na língua Tupi, para se transformar em uma ameaça às pessoas que dependem dele. Antes de desaguar no São Francisco, o rio é responsável pelo abastecimento de 53% da população da RMBH.


A realização do mapeamento foi comunicada ao secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Adriano Magalhães, pelo secretário-executivo do Cibapar, o engenheiro civil, ambiental e sanitário Mauro Costa Val.

Um representante da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) foi colocado à disposição para auxiliar o consórcio. Será feito um diagnóstico de ocupações, desmatamentos, cortes irregulares de encostas, erosões e estradas vicinais abertas sem critérios técnicos na área da bacia.

Além da crescente impermeabilização de terrenos que acompanha o avanço das cidades, essas ações humanas também são responsáveis pelo transbordamento do rio Paraopeba. “Vamos usar um aparelho de topografia para traçar um desenho de onde há casa, pasto e áreas desmatadas. O diagnóstico vai apontar a dimensão do problema e as intervenções necessárias”, afirma Mauro. A previsão é a de que o trabalho seja concluído em setembro. O custo do projeto está sendo calculado.

O geólogo Edésio Teixeira de Carvalho, professor aposentado do Departamento de Geologia da UFMG, aponta as voçorocas – erosões abertas em terrenos desmatados da bacia do Paraopeba para criação de gado, mineração e outras atividades – como as principais responsáveis pelo assoreamento do curso d’água.

“A chuva leva terra dessas voçorocas para o leito do rio, causando um acúmulo intenso de detritos. Mesmo se houver um volume de precipitação idêntico ao do ano anterior, aumenta a possibilidade de transbordamento”.

O médico Apolo Heringer Lisboa, professor da UFMG e fundador do Comitê da Bacia do Rio São Francisco, condena a ocupação irregular e a impermeabilização de terrenos da bacia do Paraopeba. “As enchentes são provocadas pelo mau uso e pela ocupação do solo. As cidades foram construídas próximo ao rio para facilitar a captação de água, mas as pessoas insistem em morar à beira dele, desmatando e cutucando a terra, sem ter conhecimento das consequências”.

 
 
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