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Falta de mão de obra leva indústria a capacitar empregado PDF Imprimir E-mail

A falta de mão de obra qualificada para atender a indústria, principalmente nos setores mais intensivos em conhecimento e técnica especializada, como máquinas e equipamentos, autopeças e linha branca, está obrigando as empresas a trazerem, para dentro das fábricas, a tão demandada qualificação profissional. Diante da escassez de oferta, que com a retomada do crescimento econômico já está sendo batizada de apagão da mão da obra, a alternativa tem sido formar e requalificar o pessoal nas próprias empresas. O contra-senso é que, apesar da demanda crescente, uma força de trabalhado cheia de fôlego para o batente, os jovens com idades entre 16 a 24 anos, amargam uma taxa de desemprego de 21%, mais do que o dobro da taxa global de 9,9%.

O diretor industrial da Suggar, Marcelo Soares, conta que abriu, há cerca de dez dias, uma seleção com dez vagas para a área de produção. Em busca de técnicos das áreas mecânica, elétrica e eletrotécnica, Soares avaliou 25 pessoas, mas só 5 foram aprovadas. “Muitos nem tinham o curso técnico”, conta. Para os postos que exigem mais qualificação, o diretor prefere treinar o pessoal da própria fábrica. “Resolvo o problema de ter que buscar pessoal no mercado e motivo minha equipe”, afirma.

Na Teksid do Brasil, que integra a divisão metalúrgica do Grupo Fiat, a opção foi por criar sua própria Escola Teksid de Fundição, que já formou duas turmas. “Temos direcionado cada vez mais recursos para criarmos instrumentos próprios de formação de pessoal. Nós mesmos temos qualificado nossos funcionários trazendo os professores para dentro da fábrica”, relata o diretor-superintendente da Teksid, Rogério Silva.

Em algumas companhias, o treinamento interno já é a principal forma de qualificação da força de trabalho. Na fabricante de compressores Neuman and Esser, 75% dos funcionários foram treinados dentro da própria empresa. “Na fábrica, você faz uma qualificação específica para o seu produto. Isso é uma tendência cada vez mais forte na indústria de máquinas e equipamentos”, afirma o diretor-geral da empresa, Marcelo Luiz Veneroso.

O presidente do Sindicato da Indústria Mecânica do Estado de Minas Gerais, Petrônio Zica, no entanto, avalia que o gargalo vai além da qualificação de pessoal para suprir a necessidade de novas contratações e esbarra, também, na requalificação, exigida pela própria evolução do setor, com o desenvolvimento de novas tecnologias e aquisição de novos equipamentos. “É preciso requalificar a mão de obra porque as máquinas estão cada vez mais modernas”, afirma. Diante da necessidade de atualização constante, Zica, que é diretor-presidente da Delp Engenharia Mecânica, também tem levado a requalificação para dentro da sua empresa. “Todo mundo tem feito isso. A companhia disponibiliza o espaço e contrata o instrutor”, relata. Segundo o presidente do sindicato, as funções com maior escassez de oferta são para soldador, torneiro, caldeireiro e montador mecânico.

Apesar das soluções internas, as políticas públicas voltadas para melhoria dos índices de escolarização da população, qualificação e requalificação do trabalhador são indispensáveis para evitar que a situação se agrave. “A questão vai persistir. Temos uma necessidade cada vez maior de mão de obra, que começou a crescer em 2005, 2006. No começo, não se percebia porque havia grande oferta de pessoal qualificado, mas essa gordura foi queimada. Hoje, temos um déficit de qualificação”, afirma o professor de Economia e Demografia do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG), Mário Rodarte, que também é coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Rodarte lembra que na última pesquisa, referente a abril, os jovens com idades de 16 a 24 anos registraram taxa de desemprego de 21%, frente a um índice global de 9,9%. “Há uma disjunção entre o perfil da mão de obra disponível e o que o setor produtivo requer. É preciso políticas públicas para corrigir isso”, defende.

O problema já preocupa o próprio Governo. Na semana passada, o Ministério do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou que iria propor ao presidente Lula o envio de um projeto de lei ao Congresso para ampliar em cerca de R$ 300 milhões, por ano, os recursos para qualificação de trabalhadores. Neste ano, a previsão é que sejam investidos R$ 800 milhões em qualificação, considerando todos os programas do Governo voltados para treinamento de mão de obra. No ano passado, foram R$ 600 milhões.

 
 
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